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Etiene Medeiros alerta natação do país: “Critérios não acompanham o mundo”

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A volta de Etiene Medeiros à natação competitiva não tem um objetivo tímido. A campeã mundial dos 50 m Costas em 2017, na Hungria, deixou claro que mira uma medalha olímpica em Los Angeles 2028. Mas ela não parou por aí e aproveitou para fazer um alerta direto sobre o cenário nacional: o Brasil não acompanha o movimento internacional nas provas rápidas. A atleta pernambucana de 34 anos contou que estruturou sua preparação pensando diretamente na nova realidade do esporte, que passou a incluir provas de 50 metros de todos os estilos no programa olímpico.

A gente voltou à natação competitiva pensando numa medalha. Sou muito pé no chão, uma pessoa que vive um dia por vez, assim, sabe, etapa por etapa, ciente que terão dias bons, mas também terão dias que serão muito ruins, e isso é o esporte. A gente sabe que Los Angeles tem muito tempo, mas, ao mesmo tempo, não tem. Acredito que a natação brasileira precisa enxergar mais os 50 m Costas, os 50 m Peito, os 50 m Borboleta, porque a prova tá aí, virou Olímpica. E a natação brasileira está fazendo um papel inverso, fazendo critérios que não estão compatíveis com o que o mundo está fazendo”, disse.

Eu acredito que, cada vez mais, os resultados vão aparecendo com as voltas do Nicholas (Santos) e do João (Gomes Jr.) também. Isso faz muita diferença e será importante para que seja cada vez mais visto e tenha um olhar totalmente diferente para essas provas de 50 m”, acrescentou Etiene Medeiros logo após conquistar o título do SP Open de Natação de Inverno na disputa mais rápida do nado costas. Ela ainda volta a competir no evento organizado pela Federação Aquática Paulista (FAP) nos 50 m Livre.


Foco em medalha e mudança de cenário
Etiene não escondeu o objetivo. A nadadora admitiu que o retorno à elite aconteceu com a meta de subir ao pódio olímpico. “A gente voltou à natação competitiva pensando numa medalha”. Mesmo mantendo o discurso cauteloso, a pernambucana enxerga uma oportunidade real. O histórico recente mostra que tempos competitivos na prova poderiam colocá-la na briga por medalha em nível mundial. Para ela, o crescimento das provas rápidas exige adaptação imediata — algo que, na visão dela, ainda não acontece no Brasil.

Etiene Medeiros tem como melhor marca em sua carreira nos 50 m costas o tempo de 00:27.14, feito com a medalha de ouro no Mundial de 2017, em Budapeste. Recentemente, no Mundial de 2025, em Singapura, a estadunidense Katharine Berkoff subiu ao topo do pódio ao concluir a prova em 00:27.08, deixando a compatriota Regan Smith com a prata (00:27.25) e a chinesa Letian Wang com o bronze (00:27.30).

Um ano antes, no Mundial de 2024, em Doha, no Qatar, a estadunidense Claire Curzan sagrou-se campeã dos 50 m Costas, fechando a prova em 00:27.43. Etiene Medeiros soma seis marcas superiores ao dela e teria sido a vencedora, se repetisse ao menos um deles.


Planejamento até Los Angeles 2028
Apesar da distância para os Jogos de 2028, Etiene Medeiros trata o ciclo como urgente. Ela acredita que mudanças ainda podem acontecer nos critérios de classificação e no direcionamento da seleção. No momento, a regra estabelece que apenas os seis melhores numa prova específica garantirão vaga nas provas dos 50 m em Los Angeles, com as demais vagas sendo preenchidas por atletas que já estarão na competição para nadarem disputas, por exemplo, dos 100 m. “A preparação é voltada para isso, mas sou uma pessoa que acredito muito em mudanças repentinas. Acho que esse critério ainda vai mudar”, disse.

Ainda tem tempo para Los Angeles. Eu acho que tem um movimento aí surgindo. Tem muito atleta voltando a alta performance. Mas, se o critério é esse, o nosso objetivo vai ser as Copas do Mundo. Eu tenho duas provas: 50m livres e 50m costas. Acho que são duas oportunidades de tentar dar o melhor. Mais um dia por vez, né? A gente tá em 2026 ainda, ainda tem muito tempo, temos sete meses aí pela frente, que ainda tem muita coisa pra construir”, complementou Etiene Medeiros.

Créditos: ABC da natação


Desafio dentro e fora da piscina
Fora d’água, Etiene Medeiros encara um dos maiores desafios da carreira: conciliar a rotina de atleta de alto rendimento com a maternidade. Kaleu Medeiros Rocha está com pouco mais de um ano e agora tem a mamãe de volta à rotina de atleta de alto rendimento. 
É coragem, é luta. Todo dia você tem que ser flexível, tem que estar aberto a questões pessoais de um ser pequeno que veio de dentro de você. E dentro disso, tem as responsabilidades de ser um atleta de performance. Eu me sinto muito orgulhosa de ter topado esse desafio”, destacou a nadadora.

É um desafio interno meu, da minha família. E acredito que o Sesi me dando esse suporte, a gente vai conseguir muita coisa ainda. Vai ser incrível. Agora tenho o Maria Lenk e ele vai estar lá, portanto, estou muito feliz. Ele é um serzinho iluminado e estou morrendo de saudade, já que no momento ele está em casa com meu pai e com minha mãe. Sei que hoje tenho que ter muito esse ato de coragem todos os dias para levantar, cuidar dele e fazer o que tenho que fazer”, finalizou Etiene Medeiros.


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