Uma matéria publicada no Instagram do perfil do Bloco Esportivo gerou repercussão na comunidade aquática do RN em torno do reajuste de taxas aplicado este ano pela administração da Federação Aquática Norte-rio-grandense, FAN. O perfil é mantido pelo jornalista esportivo Percílio Simões, que também é atleta de natação do RN. Comentários de perfis de pais e atletas tentaram amenizar o contexto atual, apesar de todo o conteúdo ter fundamento e procedência. A atual administração da FAN havia respondido a questão anteriormente, quando preparávamos uma matéria sobre o mesmo conteúdo.

"Sem presidente eleito, mas com reajuste garantido, federação aumenta taxas e a natação potiguar afunda"
O título da matéria é totalmente procedente. Estamos num país democrático e as pessoas parecem ainda não ter entendido o que há por trás de seu voto. E o irônico é encontrar pessoas que fazem parte de um esporte dito de "elite" sem o mínimo de entendimento para além de números de tempos registrados e recordes. E isso tem tudo a ver com a continuidade de seu voto que não acaba ali na urna a cada 04 anos. Mas quem está por trás da atual administração da FAN não tem o mínimo de afeição com a realidade do esporte para além de sua ganância.
O jornalismo é uma profissão nobre, que exige ética, responsabilidade e sintonia com as mudanças sociais, sejam elas casuais ou provocadas. E na natação não poderia ser diferente. No entanto, existe uma classe de nadadores masters que trata o jornalismo como adversário, querendo viver de eternos elogios e vanglórias dia e noite, sonhando com o mundo da "Alice no país das maravilhas". Dessa forma, as críticas feitas por eles não buscam fazer crescer ou elucidar questões, de modo a tratarem a crítica jornalística como inimigo do "berço esplêndido" da natação.
Foi assim que percebemos diversos comentários na postagem feita em rede social diante de uma realidade que compromete o esporte. As taxas quando não refletem uma súbita "permissão", acabam sim denotando a seleção de um público exclusivo, dificultando o acesso democrático às competições por qualquer classe social.
A justificativa da Federação será aqui exposta, mesmo considerando que em 13 de fevereiro deste ano, havíamos enviado algumas questões por e-mail à atual administração da Federação, surgidas após um ano sem presidente eleito democraticamente. Vale lembrar que a atual adminstração foi determinada de forma judicial, com Ilan Dantas permanecendo até o pleito definitivo.
Dentre as questões, uma delas se tratava também das taxas aumentadas sem justificativa. A administração da Federação respondeu por e-mail em 01 de março e, enquanto preparávamos matéria para elucidar essa e outras questões em torno da Federação, paralelamente o Bloco Esportivo publicou o seguinte no Instagram:
A temporada 2026 de natação no Rio Grande do Norte chegou com reajustes que pesam no bolso de atletas e famílias. A Federação Aquática Norte-Rio-Grandense (FAN), que desde fevereiro de 2025 opera sob administração provisória determinada pela Justiça, após a anulação da eleição presidencial de dezembro de 2024, publicou os regulamentos da nova temporada com aumentos expressivos: o valor da federação anual saltou de R$ 155 para R$ 190 (alta de 22,5%), o custo por prova passou de R$ 28 para R$ 33 (alta de 17,8%) e a taxa de piscina por competição subiu de R$ 15 para R$ 18 (alta de 20%). Na prática, um atleta que nada quatro provas em uma única etapa desembolsa R$ 340 só entre federação, inscrições e taxa de piscina, ou seja, R$ 58 a mais do que pagaria na temporada anterior (alta de 20,6%).
Além dos reajustes, o regulamento de 2026 endureceu os critérios para concorrer ao tradicional prêmio “Melhores do Ano”. Se antes bastava participar de, no mínimo, três das quatro etapas do Campeonato Estadual, agora o atleta precisa disputar pelo menos três etapas estaduais nadando, no mínimo, quatro provas individuais em cada uma, além de participar do Torneio Potiguar de Natação em Piscina Curta com ao menos três provas. Quem cumprir menos que isso estará automaticamente fora da premiação, independentemente de quantos pontos tenha acumulado.
A conta para simplesmente estar na briga pelo prêmio é alta: considerando apenas as inscrições mínimas exigidas pelo regulamento (três etapas estaduais com quatro provas cada e um Torneio Potiguar com três provas), somadas à federação anual e às taxas de piscina, o atleta precisa desembolsar no mínimo R$ 757 na temporada, sem contar deslocamento, hospedagem e alimentação. Em um esporte onde piscinas regulamentadas são escassas, equipamentos custam caro e mensalidades em clubes competitivos já pesam no orçamento das famílias, os novos valores aprofundam um cenário de acesso cada vez mais restrito.
Resposta da Federação
Em 01 de março, a adminstração da Federação havia respondido acerca das taxas:
As taxas cobradas representam as necessidades para manter as finanças da FAN saudáveis, com condições de fazer frente as despesas decorrentes da realização de competições, manutenção e aquisição de equipamentos, realização de eventos, dentre outros. O último reajuste no valor das taxas cobradas havia sido em janeiro de 2024. Além disso, em reuniões ocorridas nos dias 30/01/2026 e 08/02/2026, a FAN expôs toda a planilha de receitas e despesas aos técnicos das entidades filiadas, tendo sido realizada votação com diversas opções financeiras para a temporada 2026 e aprovados os valores atuais.
Como o título da matéria mencionou "natação afunda", alguns comentários de pais de atletas demonstraram não entender a finalidade de uma realidade por trás do que está acontecendo. Um dos comentários disse o seguinte:
Você pode até não concordar com a gestão ,(sit.)isso é sua opinião,(sit.)mais (sit.)dizer que a natação potiguar afunda ,(sit.)você está por fora de resultados de 2025 e 2026 tem que se atualizar
Medalhista brasileira infantil 2025Melhor equipe mirim e petiz 2025 do BrasilMaior equipe mirim e petiz em medalhas no nordestinhoRecordes batidos com mais de 20 anos (vários) equipe reconhecida nacionalmente e elogiada por coach @alexpussieldi ,(sit.)resultados que de 2025 até agora nunca existiram no nosso RN ,(sit.)a natação potiguar estar em alta nacional .(sit.)Antes de derrubar nossos atletas que com tanto esforço conseguiram resultados inéditos se atualize.
Ano de 2025 tivemos medalhistas brasileiro feminino que nunca ou se teve faz décadas.(sit.)E a melhor equipe do Brasil mirim e petiz.
É preciso acrescentar que alguns pais de atletas que participaram ou foram medalhistas em campeonatos brasileiros de 2025 mostraram muita insatisfação com a administração da FAN e que ameaçaram se federar e participar este ano de competições em estados vizinhos, tamanho desgosto provocado pela falta de competência profissional.
O processo que anulou a votação para presidente da FAN em 2024 foi provocado por três entidades associativas, ou seja, não foram três pessoas individualmente, foram representações sociais: Associação de Polo, Associação Pajuçara e Associação de Masters. Ora, e por que essas associações não mostraram competência para colocar pessoas capacitadas para gerir os eventos da Federação não só de natação, como de polo aquático, águas abertas, nado artístico e saltos ornamentais?
Mas o que se viu não precisaria da "misericórdia" de pessoas que mal sabiam usar um computador para administrar os registros da federação, diante de vários resultados publicados de forma desorganizada no site da FAN. Inclusive, comprometendo recordes, ao realizar uma competição em 2025 e aceitando recordes nos 400 e nos 800 livre totalmente anacrônicos.
Se um processo teria aval jurídico para anular uma eleição, acaso passou despercebido que isso não teria nada a ver com os registros dos atletas e equipes e o arquivo da FAN? E se houve algum problema de comunicação sobre isso, ficar culpando a administração anterior tende uma burrice... Se a pessoa tem um respaldo jurídico, por que não evocou seu direito por força judicial para reaver os registros anteriores?
É daí que se denota a ganância ao aumentar as taxas, quando a competência não corresponde ao trabalho esperado.

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