Não é a primeira vez que atletas do Brasil sofrem com as críticas durante as olimpíadas. E por incrível que pareça, não são críticas que surgem de torcidas ou atletas de países adversários, mas pelo contrário, surgem da própria torcida brasileira. A coisa ainda se alimenta mais quando encontra comentários ainda que sutis de jornalistas, repórteres ou influenciadores. Afinal, como criticar ou que crítica teria efeito para os atletas do Brasil?
Em primeiro lugar, quando uma crítica surge de onde não se conhece ou o atleta ou a modalidade em si, essa crítica devia ser rejeita de imediato. Ela nunca terá bases ou argumentos com finalidade benéfica. Ela tanto pode surgir de alguém da torcida, quanto ir além e ser instigada por profissionais da comunicação que "escorregam na maionese". Oportunamente, à procura de seguidores, curtidas ou número de visualizações, esses profissionais chegam a beirar o limite ético da profissão ao gerar opiniões grotescas, ainda que assumidos seus riscos.
Sem fundamentos
Falar de uma modalidade que não se conhece beira a irresponsabilidade. Às vezes, a crítica podia até esconder sim o desejo para que aquele atleta ou equipe apenas se desse bem, mas pelo acaso do destino, a sorte acaba batendo noutra porta. Daí a necessidade de "completar" a ideia, a partir de uma crítica mal elaborada, quando se tem humildade em reconhecer o excesso.
Se um fulano mal se formou numa universidade, aprendeu a nadar e nunca competiu num circuito, ouviu falar de recordes mundiais e o pior de tudo, foi indicado politicamente para assumir uma função jornalística, essa pessoa não tem fundamento algum para elaborar uma crítica, por melhor que seja sua intenção.
Galvão Bueno, enquanto comentarista da Globo, parece não ter pensado nas consequências quando forjou um preconceito, ao afirmar que "todo brasileiro podia ser técnico da seleção". Ainda que beirasse o limite máximo da boa intenção, esse tipo de comentário acabou forjando algo não em relação ao futebol, mas sim em relação às demais modalidades, especialmente a natação.
Você não sabe o que é ser técnico
Não, não, não, sinto muito, mas nenhum brasileiro queira ser técnico de natação. A gente sabe o que é estratégia de prova, sabe a quantidade de energia depositada num mergulho e que nenhum jogador de futebol atinge a mesma potência de esforço ao cobrar um pênalti. A gente sabe que quando é desclassificado, ninguém corre em cima de juiz, como se ele não soubesse da regra e precisasse de desculpa. Deixa a bagunça do futebol lá no futebol e que o futebol cuide de si mesmo. Não traz isso pra natação.
Então, antes de formar opinião sobre este ou aquele nadador, tente fazer uma série simples de 4 tiros de 50 metros, com a máxima intensidade, dentro de 90 segundos e, sem descanso, continue com mais um tiro de 100 metros com intensidade maior, chegado aos 101%. Só isso. Se você sair dessa série melhor do que um jogador de futebol em 45 minutos, talvez você encontre argumentos para criticar algum atleta da natação.


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