Em uma audiência realizada no dia 15 de janeiro no Comitê de Comércio, Ciência e Transporte do Senado dos EUA, o neurocientista Jared Cooney Horvath apresentou uma teoria contundente: a geração nascida entre 1997 e o início da década de 2010 está sofrendo uma interferência direta em seu desenvolvimento cognitivo devido ao vício em tecnologias digitais.
Segundo Horvath, o cérebro humano não possui uma “programação biológica” para reter informações vindas de vídeos curtos ou leituras superficiais em telas. A evolução humana priorizou a interação “cara a cara” e o estudo aprofundado, processos que são interrompidos pelo fluxo constante das plataformas digitais.
Um dos pontos mais criticados pelo pesquisador é a forma como as instituições de ensino estão se adaptando aos hábitos de consumo da Geração Z, em vez de corrigi-los. Como os jovens se acostumaram com o ritmo frenético de plataformas como o Instagram e o TikTok, muitas escolas passaram a ensinar por meio de frases curtas e vídeos rápidos.
Horvath classifica essa mudança não como evolução, mas como uma “rendição” pedagógica que incentiva a leitura superficial e impede a compreensão real.
O paradoxo da confiança
A pesquisa, que abrangeu dados de 80 países, trouxe estatísticas alarmantes:
- Queda de desempenho: sistemas escolares que adotaram amplamente a tecnologia digital registraram quedas significativas no desempenho acadêmico.
- Uso excessivo: crianças que utilizam computadores por cinco horas diárias para fins escolares obtêm notas notavelmente mais baixas do que aquelas que utilizam a tecnologia raramente.
Além da perda de capacidade cognitiva, o neurocientista identificou um “excesso de confiança” nestes jovens. “Quanto mais inteligentes as pessoas pensam que são, mais burras elas realmente são”, declarou Horvath, sugerindo que a percepção de saber muito — vinda do acesso rápido à informação — mascara a falta de compreensão profunda e retenção real do conhecimento.
A Fábrica de Cretinos Digitais
Este é o título do último livro do neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, em que apresenta, com dados concretos e de forma conclusiva, como os dispositivos digitais estão afetando seriamente — e para o mal — o desenvolvimento neural de crianças e jovens.
“Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”, alerta o especialista em entrevista à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
As evidências são palpáveis: já há um tempo que testes de QI (Quociente de Inteligência) têm apontado que as novas gerações são menos inteligentes que anteriores.
Fontes: Revista Planeta e BBC


Nenhum comentário:
Postar um comentário