No último dia 01 de julho, chegamos aos 17 anos do blog Natação do RN. Um trabalho inaugurado em 2009 sem pretensão alguma acabou se tornando um marco histórico para a natação do Estado, sem contar importantes contribuições nacionais e internacionais ao longo desse período.
O blog “Natação do RN” ou “Natação Potiguar” hoje exprime uma particularidade determinada pela forma como crescemos e alcançamos o público. Lá no início, não havia pretensão alguma de manter mais de 6 mil acessos diários em momentos de pico envolvendo campeonatos importantes, olimpíadas e paralimpíadas. O mundo tem curiosidade em saber como a natação é feita no Brasil, apesar da relativa abordagem assumida diante do privilégio dado aos nadadores e equipes do RN. No entanto, aquilo que pretendia ser um mero mural de recados virtuais em 2009 acabou trazendo os olhos de todo o Brasil para Natal com campeonatos importantes.
O nosso “mural de recados” surgiu do falido orkut, num momento em que o Instagram, derivado do Facebook, sequer existia. Eu me lembro da vez que Marcos Macedo publicou um vídeo no orkut, vencendo os 50 m Borboleta num campeonato sul-americano de categoria em 2008 (se não me engano, júnior – 17 anos) e dali, avaliando o vídeo, eu tinha dito pra mim mesmo: “Esse garoto vai longe”. E foi, né. Mas aquela análise era de um garoto diferenciado, porque nem todo mundo que nada os 50 borboleta pra 25 segundos demonstra querer mais do que isso.
Além de “Marquinhos”, a antiga equipe do Sesi da década de 1990 e outros nadadores da AABB, do América, da Aquasports, do Neves etc. aos poucos formavam grupos para compartilhar resenhas, sem qualquer visibilidade ou repercussão, como daquela vez que “Marquinhos” foi campeão sul-americano e não havia jornal ou mídia local para divulgar isso. É inevitável agradecer às ferramentas do Google derivadas do orkut para chegarmos onde chegamos, com certa dose de coragem diante de nenhum apoio até então.
Essas e outras informações documentadas poderão abrilhantar um futuro livro da natação potiguar. Aliás, pra ser sincero, esse livro já devia ter sido publicado, diante da grande variabilidade de informações disponíveis; só não foi ainda, devido ao comprometimento da formação acadêmica assumida pelo blogger, ao estar cursando Educação Física na UFRN, diante de dificultades outras.
Relembrar esses fatos, registrar outros novos aos longo desses 17 anos, criar vínculos com atletas e equipes, aos poucos foi determinando como nossa particularidade não ficou numa rede social limitada. Não era um mero “repórter esportivo” escrevendo sobre o que não sabia, não era um historiador sem formação, não era um árbitro sem competência. Essa relação com a água foi-se expandindo a ponto de se tornar exemplo.
Tentamos ser justos nas abordagens críticas, abrimos espaços para comentários, à espera de que pensamentos diferentes contribuissem para o crescimento do esporte. Se conquistamos algo, sem falsa modéstia, deve-se mais à resistência dos adversários do que às contribuições dos amigos. Quanto mais resistência de adversários estéreis, mais formas de contornar e vencer barreiras encontramos. Por outro lado, aquela mística do preconceito extendido demonstrou que certas pessoas preferem sua H2O num egocentrismo apelativo. Nada contra, cada um com suas escolhas, mas como dizia Martin Luther King:
“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons”.
Ao longo desses 17 anos, nadadores de elite que antes eram tão “silenciados” acabaram ganhando espaço e repercussão paralelamente, a ponto de contribuírem para a troca de presidência da CBDA. E isso é democracia dentro do esporte. Não cito isso como quem copia ações derivadas, mas ao contrário, demonstrando de onde surgiram análises independentes para além de medalhas conquistadas. E fomos demonstrando que não nos limitamos ao “Take your marks”, quando natação vai bem além disso. Basta reler a História e encontrar nela como reinos foram conquistados pela natação, como a tecnologia evoluiu com a natação, como amores foram possíveis graças a alguém que sabia nadar. Noruega, Inglaterra, China e Egito que o digam.
Só sentimos nos limitar à competitividade, quando também poderia se fazer necessário abordagens outras, ainda que para isso nosso público fosse diferenciado, sem aquela súbita pretensão em “converter” alguém. Pois, nada disso teria sido possível, se uma experiência originalmente religiosa tivesse determinado a escolha não só por um esporte, mas também um modo de vida e de exprimir uma espera, uma forma de transparecer uma assinatura divina, diante do diferente, do resistente, do insistente e do adversário, ainda que pedras sejam lançadas cegamente contra o cronômetro.
Foi daquele salvamento aquático em 1988, foi da sunga que caiu na primeira competição, foi escutando nadadores masters e instigado por professores de língua portuguesa e literatura que um caminho começou a ser trilhado. Muito embora pudéssemos perceber o quanto poderíamos melhorar, a pergunta à dualidade que fica é: por que você não teria feito melhor? E seguimos então, nessa humilde tentativa de cada dia fazer melhor do que ontem.


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