Depois da pandemia do Covid, alastrou-se um vírus mais sinistro: a “Síndrome do Pavão”, uma metáfora à imagem proposta pelo Papa Francisco. Talvez esse vírus tenha sido impulsionado, como um tsunami, pela própria pandemia do covid e das redes sociais.
A “Síndrome do Pavão” não está registrada nos compêndios médicos nem nos manuais de psicologia clássica, mas se manifesta com gigantesco apetite, um deus banguela, com a necessidade catastrófica de se exibir, de ser o protagonista, de inflar a própria imagem. Abre a cauda para impressionar, mesmo sem saber ao certo o por quê.
A “Síndrome do Pavão” não distingue classe social, profissão, religião, idade. Ela se aloja na alma, no palco digital ou na arena colossal digital, pavões antigos e modernos desfilam conquistas. O próprio artista exibe seu curriculum vitae (que tristeza!). O fardo da cauda, medalhas, troféus — bafo de Mounjaro. Um vazio do tamanho do inferno. A imagem torna-se mais importante que tudo. Seus feitos são sempre grandiosos, históricos, para não dizer “estóricos”.
Num mundo tão ruidoso e cheio de filtros, talvez a verdadeira coragem esteja em ser discreto, sincero e imperfeito. Sempre desconfiei de perfeição quase absoluta. Talvez do que estamos realmente precisando é de fechar a cauda e simplesmente caminhar. Porque ‘o pavão, quando olha para os pés, chora’. Nietzsche já deu a letra: andarão sobre a Terra acumulando seguidores – acumulando “zeros”.
Fica o alerta: cuidado com o “ego empavonado”. Nós não somos... estamos! O ego empavonado é perigoso, porque faz a gente acreditar que já chegou. Que já sabe o suficiente. Que já é suficiente. Que nunca erra. Que basta a si mesmo.
Mas a vida muda rápido. Quem hoje está forte, amanhã pode precisar de ajuda. Quem hoje ensina, amanha pode precisar aprender. Quem hoje lidera, amanhã pode precisar ser guiado. Quem hoje é pavão, amanhã pode ser espanador.
A humildade não diminui ninguém. Ela apenas lembra que a vida é movimento. Tudo pode mudar!
“Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade!” – Eclesiastes 1, 2.



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