O ex-nadador potiguar e hoje estudante de psicologia, Joe Weider Junior, expôs uma realidade cada vez mais tendenciosa, ao refletir sobre a conscientização da saúde mental das pessoas. Algo que deveria se extender por todo o ano, não só em campanhas isoladas de forma colorida a cada mês, é profundamente abordado no texto que segue abaixo, publicado numa rede social. Joe é irmão da ex-nadadora e recordista Joeline Santos, ambos abrilhantaram as piscinas do RN em diversos campeonatos. Acompanhe:
Setembro finalmente chegou ao fim, e levou consigo o que parece ter sido uma das campanhas de Setembro Amarelo mais “apagadas” dos últimos anos. Mas o que aconteceu? E como uma campanha associada a um dos maiores períodos de conscientização sobre saúde mental no país poderia ser considerada uma “farsa”?
A proposta do Setembro Amarelo é importantíssima. A campanha busca ampliar a conscientização sobre a prevenção do suicídio, promover o diálogo sobre saúde mental e divulgar formas de buscar ajuda, tentando lembrar às pessoas em sofrimento que elas não estão sozinhas.
Em 2026, porém, parece ter havido uma mudança na forma como essa mobilização se apresentou. Vimos menos pessoas e influenciadores compartilhando ‘lacinhos amarelos’ e frases genéricas nas redes sociais, e mais conteúdos voltados à escuta, ao acolhimento e à divulgação de serviços e canais de apoio.
Ainda assim, existe uma sombra sobre as “boas intenções” da campanha: sua transformação, em parte, em ferramenta de marketing. Empresas utilizam “trends” associadas ao movimento para se promover e captar clientes, e mesmo que as mensagens transmitidas sejam positivas, essa apropriação pode contribuir para a banalização do tema e para a sua “memeficação”.
Além disso, o Setembro Amarelo ainda negligencia um fator fundamental para a saúde mental: o contexto social. Desigualdade, violência, discriminação, insegurança alimentar e outras condições de vida influenciam diretamente a saúde mental.
Então, basta dizer a alguém que sempre sai com medo de não voltar vivo para casa ou que não sabe se terá o que comer no dia seguinte que tudo vai ficar bem e que ele não está sozinho?
Por isso, ainda que o Setembro Amarelo tenha um papel importante na disseminação da pauta da saúde mental, devemos entender que apenas ele, enquanto campanha de promoção de saúde mental, não é suficiente.
Precisamos de políticas públicas, de melhores condições para a população, de combate à desigualdade, ao preconceito, e de uma forma de fazer, de fato, com que as pessoas se sintam ouvidas.


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