Resenha | Era uma vez - ep. 04 - Natação do RN

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Resenha | Era uma vez - ep. 04

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Era uma vez, uma nadadora que queria ser influenciadora de mídias e redes sociais. Um dia ela encontrou um espelho mágico, mas seu sonho foi interrompido pelas crenças de seus pais. E por incrível que pareça, aquele espelho acabou ajudando a descobrir sua essência no esporte.

A moda era contagiante, diante do forte apelo a se sentir alguém. Era uma época em que as notas na escola não importavam muito, se algum algoritmo pudesse ajudar com a questão. E aquela imersão num ambiente extraordinário parecia sedutor e sem a incrível sensação do tempo passando. Foi assim que na natação, ela foi aos poucos se acostumando à mesmice de uma performance pífia, sem noção de como largar e de como sua prova ia se desenvolver na competição.

Aquela correria sem noção provocada pelo desejo da nadadora a fez perder sua identidade de tal forma, que coisas básicas do dia a dia foram ficando cada vez mais automatizadas, como o simples tomar banho ou escovar os dentes. Ela se sentia na obrigação de divulgar cada detalhe, até mesmo previsões tendendo ao próprio acontecimento. De tanto, sua influência acertar, sua meta agora era atingir ao máximo de pessoas ao redor. Essa ganância foi passando despercebida, de modo que muitas desculpas eram dadas para encobrir aquele início de síndrome.

Um dia, ela resolveu se dar férias e viajou para uma cidade vizinha. Ali passeando numa feira popular, não resistiu o "ao vivo" para mostrar a todos onde estava. De repente, houve uma interrupção na transmissão, quando se esbarrou em apetrechos de uma loja. Ao se virar e perceber um espelho de sua estatura, de repente ela levou um susto. Não parecia sua imagem nítida descrita no espelho, mas era algo que lembrava sua avó falecida de frente pra ela. A cena se deu num instante e curiosa como ficou, a nadadora resolveu comprar aquele espelho mágico.

Ao instalar aquele espelho em casa, nada demais aconteceu além da própria imagem que se via distorcida ali. Mas no outro dia, quando ela estava debochando de suas adversárias online, resolveu fazer um vídeo relembrando a "Branca de Neve" e disse num momento divertido: "Espelho, espelho meu, existe nadadora mais linda do que eu?..." Quando de repente, o espelho que estava logo atrás dela, respondeu dizendo: "Sim, com certeza existe".

O susto foi maior ainda do que ter visto a imagem de sua avó anteriormente. Ainda que ela tivesse pensado que era só imaginação, a voz continuou a repetir toda vez que ela debochava com aquela frase: "Espelho, espelho meu, existe nadadora mais linda do que eu?...". O impressionante era que a voz parecia com a da sua avó, ainda que sua imagem continuasse distorcida, borrada...

Quando ela resolveu aceitar o fato que aquele espelho estava mesmo falando ali, quando caiu a ficha e aceitou crer mesmo que aquilo estava acontecendo, seus pais bateram na porta de seu quarto perguntando com quem ela estava conversando. Foi então, que ela silenciou e buscou guardar segredo.

Dias se passaram, e os pais daquela nadadora a notaram cada vez mais diferente. Estava faltando aos treinos, não tinha mais estímulo para competir. Quando saía do quarto após realizar suas lives em rede social, parecia irritadiça, sempre insatisfeita e dando desculpas de que teria absorvido isso da própria natação. Por vezes, seus pais a escutavam falando sozinha no quarto fechado, algumas vezes iniciando com aquela frase de referência"Espelho, espelho meu, existe nadadora mais linda do que eu?...".

Até que num dia de surpresa, sua mãe encontrou a porta do quarto entreaberta e notou ela falando com o espelho. A cena chamou muito sua atenção. Sua mãe percebeu a gravidade do porquê daquele abandono do esporte. E resolveu filmar a cena pra mostrar ao pai. 

Eles enfim, chamaram a nadadora pra conversar, ainda que ela se mostrasse relutante, e expuseram o porquê daquela decepção. A garota sofreu um choque de realidade, quando percebeu na filmagem que estava falando sozinha. Não havia espelho mágico, não havia vozes, muito além das que ela mesma fantasiou. De uma simples neurose por estar conectada a todo tempo, a coisa evoluiu a ponto de agora precisar de intervenção psicológica.

Numa das mais de vinte seções a que ela foi submetida, seu psicólogo perguntou sobre o espelho e se recentemente, ele falou da natação. A nadadora enfim, respondeu: "Eu continuo vendo aquele espelho, mas na água da piscina. Não escuto mais vozes, pelo menos isso." E assim retomou seus treinos diariamente, superando a necessidade de aplausos ou visualizações de desconhecidos, para descobrir que sua essência estava ali no que fazia de melhor.

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