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Poliana e seu técnico/esposo, Ricardo Sintra Foto: D.P. |

Dicas para iniciantes em águas abertas
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Nadar em rios e lagos é algo que fascina boa parte
dos nadadores, mas que pode assustar aqueles que estão acostumados apenas com
as piscinas. Pensando nisso, Ricardo Cintra, treinador da medalhista olímpica Poliana
Okimoto, no Rio 2016, nos deu algumas dicas sobre a transição para as águas
abertas.
Esportes diferentes
A primeira coisa que Cintra ressalta é que a
natação em piscina e em águas abertas é muito distinta. “São tantos
fatores que podem influenciar na maratona que não acontecem em piscina, como,
por exemplo, o contato físico, marola, vento, água gelada, água quente”,
exemplifica o técnico. “São totalmente diferentes, são realmente esportes
diferentes”.
Ele explica que, na piscina, as condições são muito
mais constantes a cada prova e o atleta depende quase exclusivamente de si. “A natação em
piscina é matemática, aquele mesmo ritmo, separado entre raias, sem contato
físico, a água sempre na mesma temperatura”, conta Cintra. “Hoje em dia os
atletas sabem até o número de braçadas que eles têm que dar a cada piscina”.
Mas não é porque você está acostumado com essas condições quase sempre iguais que
não pode começar nas águas abertas.
Treino, muito treino
Como as provas de águas abertas têm volumes maiores
do que as provas de piscina, Ricardo Cintra explica que os treinos
inevitavelmente também precisam ser mais volumosos. “Infelizmente é uma coisa que não tem
como a gente fugir, esse volume alto. Então quem faz maratona aquática
tem que gostar de treinar porque senão não vai ter sucesso”, conta o
treinador.
Como curiosidade, ele revela como era o treino de
Poliana Okimoto antes dos Jogos Olímpicos do Rio: “Para a Olimpíada ela chegou a
treinar uns 20 mil metros por dia”. Uma série que chegaram a fazer era
uma simulação da prova principal da atleta, os 10 quilômetros – prova chamada
de maratona aquática. “São 10 de 1000. A gente fazia cinco em A1, quatro em A2 e o
último em A3”, lembra o técnico. “Normalmente, a gente usava material para fazer o A1
com pé de pato, o A2 com palmar e o A3 com pé de pato e palmar, descansando 30
segundos a cada 1000 metros”.
Mas calma! Você que está começando não precisa se
assustar. “Uma dica boa para quem é iniciante é começar com as provas mais curtas,
bem organizadas. Começa com a prova de 1500, depois vai para a prova de 3000”,
sugere Cintra.
Adquira experiência
A única forma de aprender a lidar com as
particularidades das águas abertas citadas por Ricardo Cintra é passando por
todas essas situações. “A Poliana, por exemplo, teve muita dificuldade de pegar
essas experiências da maratona aquática. Ela já começou com 20 anos, então ela
já era considerada velha para natação (de alto rendimento) em piscina”,
recorda o técnico da medalhista olímpica.
Mas a dica, em qualquer idade, é ir se acostumando
com o esporte. “Eu acho que é importante o atleta de maratona aquática passar por todas as
situações, então quanto mais provas ele nadar, melhor. Na água quente, água
gelada, com marola”, sugere Cintra. “É um esporte muito específico, então
acho que fica uma dica tanto para o iniciante, máster ou criança: quanto mais
nadar, quanto mais prova fizer, melhor”.
Educativos específicos
Além de fazer um treinamento com volume adequado às
provas de águas abertas das quais o atleta quiser participar, é possível fazer
alguns educativos para pegar as “manhas” de nadar no mar, em lagos ou rios.
Cintra sugere dois.
O primeiro deles é para treinar
aquela olhada para frente que maratonistas aquáticos dão para se localizarem
durante as provas. “Você levanta a cabeça para olhar, não respirar, porque, se
você levantar muito a cabeça na respiração frontal, você acaba sobrecarregando
a musculatura do pescoço, do trapézio e isso acaba acarretando uma sobrecarga
na musculatura”, explica o treinador. “É só tirar o olho para fora da água
e depois virar a cabeça para respirar. É o modo mais eficaz de olhar pra frente
na maratona aquática”.
O outro educativo
sugerido por Ricardo Cintra é pensado para trabalhar a agilidade do
deslocamento lateral, exigido nas provas de águas abertas. “Um educativo
que eu dou bastante é nadando em dupla. Um vai na frente, outro atrás, e o de
trás, a cada seis braçadas, passa por cima das pernas do colega”,
descreve o técnico. “Você passa do lado esquerdo para o lado direito a cada seis
braçadas e aí passa do lado direito para o lado esquerdo”.
Fonte: Raia Oito
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Franklin Rodrigues
É graduando no curso de Educação Física/UFRN, árbitro nacional de Águas Abertas nível B da CBDA e de Natação pela FAN. Coordenou equipes em competições nacionais, com curso internacional de treinamento em natação competitiva. É bicampeão brasileiro de Águas Abertas, medalhista sul-americano master e vice-campeão do Circuito Nacional de Águas Abertas de 2024. Realizou o sonho pessoal de presenciar os Jogos Olímpicos Rio 2016 e apoia as futuras gerações de nadadores do RN e do Brasil.
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